Médicos alertam para o abandono do tratamento da tuberculose

24 de março de 2011 - 14:02

A incidência da tuberculose no Ceará tem se mantido praticamente estável nos últimos quatro anos, ou seja, os registros anuais oscilam em torno dos mesmos números apontados na última estatística, que é de 2009 e indicou naquele ano a ocorrência de 3.804 casos no Estado. Contudo, um fator preocupa médicos e autoridades de saúde: a interrupção no tratamento da doença.

 

Basta dizer que enquanto o Ministério da Saúde preconiza como aceitável o índice de cura em 85% dos casos, no Ceará esse percentual está em cerca de 70%, informa a pneumologista Tânia Brígido, médica do Hospital Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, ou Hospital de Messejana, como é mais conhecida a unidade que se tornou referência no tratamento de enfermos com tuberculose em estágio mais grave.

 

Tratamento longo

 

Para ela, o tratamento longo (de até seis meses) e com drogas potentes destacam-se entre os fatores para o abandono da medicação. Observa, no entanto, que o paciente, antes de um mês realizando os procedimentos, apresenta uma sensível melhora no quadro clínico.

 

“Mas a falta de sintomas não significa cura. Quando o doente interrompe o tratamento cria resistência à medicação”, alertou. Com isso, o paciente é obrigado a se submeter, posteriormente, a um tratamento mais complexo e mais caro, podendo durar de 18 a 24 meses.

 

Também o coordenador do Promoção e Proteção à Saúde da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), o médico sanitarista Manoel Fonseca, considerou o abandono do tratamento um fator “preocupante”.

 

Lembrou que além do desaparecimento dos sintomas – o que em sua opinião pode vir a ocorrer já nos primeiros 15 dias após o início da ingestão dos medicamentos – contribui para o problema o alcoolismo, tão comum entre os pacientes.

 

Com predominância de questões educacionais e culturais bem como a dependência do álcool, a recomendação do Ministério da Saúde é de que a ingestão dos medicamentos aconteça na presença de um agente de saúde, disse Manoel Fonseca. “É o que nós chamamos de tratamento assistido”, completou.

 

A tuberculose é uma doença causada pelo bacilo de Koch e, como no passado, continua associada à pobreza, às más condições de moradia e de alimentação, assim como à falta de saneamento básico.

 

“Mas os programas sociais e a participação da sociedade civil contribuíram para esse quadro ter alcançado estabilidade nos registros”, acredita a médica Tânia Brígido, que ontem, no Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, participou em Fortaleza, de uma videoconferência com a bioquímica Iracema Patrício enfocando as questões relacionadas à doença.

 

A videoconferência foi transmitida para os 99 pontos de Telessaúde de todo o Estado e para o auditório do DataSUS (que fica na Rua do Rosário, 283, sala 809 – Centro).

 

Sintomáticos

 

O controle da tuberculose é baseado na busca de casos, diagnóstico precoce e adequado, bem como no tratamento até a cura com o objetivo de interromper a cadeia de transmissão e evitar a doença.

 

Segundo a enfermeira e assessora técnica da Célula de Atenção Básica da Secretaria de Saúde do Município, Socorro Araújo, na rede municipal de Saúde são estimuladas “as ações de busca ativa de sintomáticos respiratórios”.

 

Socorro Araújo esclarece, ainda, que sobretudo os profissionais de saúde são orientados a permanecerem atentos para acompanhar o quadro renitente de pessoas com tosse, por mais duas semanas, consideradas sintomáticas.

 

“Nessa situação, a pessoa deve ser encaminhada a fazer o exame de escarro, que pesquisa a presença ou não do Bacilo de Koch, causador da doença”, disse, admitindo que até hoje a tuberculose “é considerada doença da fome, com maior propagação em locais de grande aglomeração, uma vez que se transmite por via oral”.

FIQUE POR DENTRO

Doença persiste

 

O Dia Mundial da Tuberculose foi lançado, em 1982, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela União Internacional Contra TB e Doenças Pulmonares. A data foi uma homenagem aos 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882, por Dr. Robert Koch. Este foi um grande passo na luta pelo controle e eliminação da doença que, na época, vitimou grande parcela da população mundial e hoje persiste com 1/3 da população do planeta ainca infectada, ou seja: 8 milhões de doentes e 3 milhões de mortes anuais.

 

Fonte: Diário do Nordeste