Jornal O Povo faz reportagem sobre crianças cardiopatas atendidas no HM
10 de fevereiro de 2011 - 16:01
o último domingo, 06 de janeiro, o Caderno Ciência & Saúde, Jornal O Povo,trouxe uma reportagem especial sobre o atendimento as crianças cardiopatas. A reportagem “Tão pequenos e Tão Valentes” destacou o Hospital de Messejana como o maior do Norte e Nordeste na realização de cirurgias corretivas em crianças acometidas pelas doenças do coração. A matéria abordou ainda, as principais cardiopatias congênitas e mostrou a necessidade de ampliação do serviço para atender a demanda cerscente.
Leia as matérias publicadas no Ciência & Saúde: Tão pequenos e tão valentes
O Hospital de Messejana é referência Norte e Nordeste em cardiologia “O recém-nascido acumula uma energia muito grande e tem uma capacidade de recuperação imensa. Eles (os bebês com cardiopatias congênitas) nos impressionam muito. Apesar de parecerem pequenos e frágeis, eles se mostram muito fortes”. Quem afirma é a cardiopediatra Isabel Cristina Leite Maia, coordenadora da enfermaria de pediatria do Hospital do Coração de Messejana. Segundo ela, esta é uma cirurgia delicada, complexa, mas os recém-nascidos têm uma capacidade de recuperação muito grande, que chega a ser maior que a dos adultos. Em alguns casos, uma semana depois da cirurgia, é como se eles nunca tivessem tido uma cardiopatia, nem se submetido a uma cirurgia. Isabel Cristina fala como especialista e como mãe de uma criança que nasceu com um tipo de cardiopatia congênita e fez a cirurgia de correção. Há nove anos, João Pedro nasceu com transposição arterial. “Ele foi operado em Fortaleza, na rede conveniada em um hospital privado. Fez a cirurgias com uma semana de vida e hoje ele leva uma vida normal”, sorri a médica. Conforme ela explica, em algumas doenças cardíacas, quando a cirurgia consegue fazer a correção, a maioria das crianças consegue ter vida completamente normal. “Algumas crianças, que têm problemas mais complexos, passam por cirurgias paleativas ou só fisiológicas, e têm alguma restrição no decorrer da vida. Mas são poucas. A maioria consegue ter uma vida bem normal”, explica. Quando ainda estava grávida, Isabel Cristina fez o exame chamado ecofetal, mas na idade gestacional em que estava, a posição do bebê não favorecia a avaliação do coração dele e, portanto, não foi possível ter o diagnóstico. Quando João Pedro nasceu, ficou com a pele roxa, o que despertou a desconfiança dos pediatras. “No mesmo dia, ele teve o diagnóstico”. Hoje, quando a médica recebe as famílias de crianças no Hospital de Messejana, revive toda a história. “Revivo e consigo ter uma relação com elas de muita confiança. Eu nem digo para elas que aconteceu comigo. Mascomo eu sei como é estar no lugar delas, acho que minha relação é bem mais próxima e fácil”, acredita. (Lucinthya Gomes)
Ler: Hospital de Messejana é referência
A mãe nem sabia que os primeiros dias da bebê seriam complicados e já havia escolhido o nome Vitória. A menina nasceu em Maceió com uma cardiopatia congênita e precisou ser submetida a uma cirurgia, chamada transposição arterial, que não é realizada em Maceió por falta de estrutura. “Aí me disseram que a gente tinha de vir aqui em Fortaleza ou em São Paulo para a Vitória fazer a cirurgia”, lembra a mãe, a comerciante Nadja Falcão, de 37 anos. Com sete dias de nascida, Vitória chegou a Fortaleza e fez a cirurgia. “Essa era a data limite para a cirurgia, por causa dos riscos. Ela chegou com febre, inchaço, cansaço, com a pele rouxinha”, lembra Nadja. O primeiro Natal de Vitória foi no hospital, mas a cirurgia correu tranquilamente e Nadja torcia para que a recuperação fosse tranquila. “A Vivi teve algumas batalhas para viver. Para nascer, para chegar aqui (Fortaleza), enfrentar cirurgia de cinco horas de duração e o pós operatório de 48 horas”. Em vez de lamentos, a família prefere dar graças a Deus pela melhora de Vitória. “A mensagem que a Vivi nos deixa é que a gente podia ficar pensando: ‘Por que Deus fez isso comigo?’ Mas a gente entende que Deus colocou a Vitória na nossa vida, para a gente ajudá-la a viver”, afirma a mãe, reforçando que Vitória é guerreira, uma menina “bem fortinha”.
SAIBA MAIS
No sétimo mês de gravidez, a comerciante Nadja Falcão, 37, descobriu uma arritmia cardíaca na filha, por meio de um exame chamado ecocardiograma fetal. “A médica (em Maceió) disse que a arritmia normalizaria na hora do parto”, recorda.
Mas Vitória nasceu no dia 14 de dezembro, às 10h17min e, na manhã do dia seguinte, ainda no hospital, outro pediatra avaliou Vitória e achou que ela estava “um pouco roxinha”. O médico desconfiou de problema cardíaco e encaminhou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A menina precisou de um ecocardiograma e, como o hospital onde estava não tinha o aparelho, foi transferida. No outro hospital, o médico diagnosticou uma transposição arterial, um tipo de cardiopatia congênita que exige cirurgia de correção.
Ler: Acesso deve ser de forma democrática
Na opinião da diretora do Hospital de Messejana, Socorro Martins, a campanha movida pela família de Davi é válida e importante, pois tem o objetivo de sensibilizar para a melhoria do atendimento de crianças com cardiopatias congênitas. Mas ela faz algumas considerações. Socorro questiona principalmente a inclusão de leitos particulares dentro do hospital. “A prioridade na fila de espera de cirurgia é a classificação de risco. Por que ter leitos reservados para a rede privada, se tiver pacientes no SUS precisando de atendimento com mais rapidez?”, questiona.
Os leitos para a rede privada também lançam um desafio: elaborar um modelo de gestão que garanta um serviço de qualidade e que tenha autonomia. “O sistema que a gente defende é aquele que vai oferecer mais acesso, de forma igualitária e democrática”. Outro ponto que ela critica é que já existe um plano contemplando melhorias no próprio hospital. Ao mesmo tempo, ela aponta uma necessidade: “Devemos estimular que não só a rede pública realize as cirurgias. E os planos de saúde? Um dos motivos para o serviço público estar estrangulado é porque a rede privada não realiza mais as cirurgias”, alerta, chamando a rede particular a assumir responsabilidades e a realizar o procedimento.